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Passagem de ciclone arrasa o Rio e mata seis
08/03/2010 às 09:24

Passagem de ciclone arrasa o Rio e mata seis

Temporal que parou região metropolitana destroçou quatro famílias na capital e em Niterói

Rio - O temporal que caiu sobre a região metropolitana no fim da tarde de sábado, identificado por meteorologistas como um ciclone extratropical, deixou um rastro trágico. Seis pessoas morreram em desabamentos de casas, entre elas duas crianças. No Rio, os deslizamentos de terra sobre residências mataram uma avó e sua neta, em Anchieta, e duas vizinhas, no Rio Comprido. Em Niterói, as vítimas foram uma mulher e seu sobrinho.

Por volta de 21h de sábado, uma encosta desmoronou na comunidade da Torre Branca, no Rio Comprido, soterrando as casas das vizinhas Rosane Coelho Monteiro Lima, 33 anos, e Waldete Santos da Silva, 27, que morreram. As filhas e os maridos delas foram salvos por moradores que começaram as buscas com as próprias mãos.

O corpo de Rosane foi localizado por volta das 5h. Já a procura pelo de Waldete durou mais de 17h — só foi encontrado às 14h46. O trabalho dos bombeiros foi acompanhado pelo marido dela, o pedreiro Paulo Sérgio Policarpo, 32 anos. Quando o corpo foi resgatado, ele se desesperou e precisou ser contido: “Ela não merecia isso. Sempre foi uma serva do senhor. Por que isso foi acontecer?”. Depois, acompanhou em silêncio a maca usada pelos bombeiros para levar sua mulher até um carro.

A dor do marido da outra vítima também comoveu os vizinhos. “Este é o momento mais difícil da minha vida. Estou com medo de olhar nos olhos da minha filha. O que é que eu vou dizer quando ela me perguntar cadê a mamãe?”, indagou o pintor de carros Cláudio Cabral, 40, referindo-se à filha, Daniela, 3 anos, que chegou a ter o corpo coberto pela lama.

“Só conseguimos salvá-la porque ouvimos o choro e cavamos até encontrá-la. Senão também a teríamos perdido”, contou o morador José Nerson de Oliveira, 49, que também ajudou a salvar Yasmin, 10 anos. Filha de Waldete, ela quebrou um braço e uma perna em três pontos e foi levada para o Hospital Souza Aguiar.
Correndo risco de desabar, 14 casas vizinhas, onde vivem 40 pessoas, foram interditadas pela prefeitura.

Tia e sobrinho soterrados

No bairro Cubango, em Niterói, Maria Auxiliadora Silva, de 39 anos, e o sobrinho dela, Luiz Henrique Pena Silva, de 9, morreram soterrados quando uma encosta desabou sobre a casa deles, na madrugada de ontem. Segundo vizinhos, o menino era criado como um filho por Maria Auxiliadora desde que era bebê.

Os dois dormiam num quarto da casa, na Rua Georgina Boreti, quando, por volta das 3h, o barranco desmoronou. A terra empurrou a parede do quarto, sem dar chance para que os dois escapassem. A lama chegou até o teto da casa. O marido de Maria Auxiliadora, Erivam Lima da Costa, 42 anos, conseguiu se salvar pulando a janela, porque estava em outro cômodo no momento da tragédia.

No bairro Arsenal, em São Gonçalo, houve deslizamento de terra sobre pelo menos 15 casas populares de uma obra da prefeitura. A chuva abriu uma cratera no bairro México.

‘Minha mãe morreu abraçada à minha filha’

A tragédia em Anchieta ocorreu às 20h, na Rua Leni Liberato da Silva. Três casas desabaram, entre elas a que estavam Rosângela Luiz de Luis, 40 anos, e a neta Gabriela de Souza Freitas, 3. Seis pessoas se feriram: Rafael da Silva Souza, 17, Nilton Souza, 48, Natalia da Silva Souza, 22, Júlia de Freitas Souza, de apenas um mês, Maria de Lourdes, 50, e o neto Vinicius Marçal de Andrade, 11. Seis imóveis vizinhos foram interditados.

“Ia dar um banho na Gabi e, de repente, ouvi um estrondo. O basculante do banheiro estourou e, quando vi, fui parar no quarto enroscada com meu irmão Rafael e perto da Julinha. Fiquei presa da cintura para baixo. Soube que minha mãe morreu abraçada à minha filha. Foi tudo muito rápido”, desesperou-se a vendedora Natália.

Em meio à dor, uma alegria: a pequena Júlia sofreu apenas um arranhão no rosto. “É um misto de dor e alegria porque minha mãe e a Gabi eram tudo pra mim. Mas agradeço a Deus pelos que estão vivos”, disse Natália, que, antes de ir visitar a mãe, tinha levado as filhas ao shopping.

Abalado e com arranhões pelo corpo, Vinicius Marçal viveu momentos de angústia. Ele estava na casa da avó Maria de Lourdes. “Vi o barro arrastando tudo. O sofá e a laje caíram em cima de mim. Pensei que minha avó tivesse morrido”, contou o menino. Maria de Lourdes quebrou o pé.

 

FONTE: O DIA ONLINE


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